E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

Sexta-feira, 07 de Junho de 2013

A propósito dos termos acima referidos, que com uma certa frequência vão servindo de adorno, à trágica tela que tão tristemente vai sendo pincelada pelos arautos aventureiros da nossa governação, entendemos publicar um texto que nos chegou às mãos através do Facebook.

O texto, escrito por Santana-Maia Leonardo, de Ponte de Sor, achámo-lo interessante e merecedor da nossa publicação por dois motivos:

1º- Por referir a argumentação original e inédita, utilizada pelo advogado Ramada Curto para defender um seu cliente.

2º- Foi estarmos em consonância com as afirmações referidas no final.

TEXTO

“Ramada Curto foi um advogado e jornalista bastante popular do meio teatral e jornalístico lisboeta da primeira metade do século XX, tendo intervindo nalguns dos processos-crime mais célebres do seu tempo.

 Uma das suas histórias judiciais que ficaram célebres teve a ver com a defesa de um arguido acusado de chamar “filho da p…” ao ofendido, expressão que, na altura, era considerada altamente ofensiva. Nas suas alegações, Ramada Curto começou por chamar a atenção do juiz para o facto de, muitas vezes, se utilizar essa expressão em termos elogiosos (“Ganda filho da p…, é o melhor de todos”) ou carinhosos (“Dá cá um abraço, meu grande filho da p…!”), tendo concluído as suas alegações da seguinte forma: “E até aposto que, neste momento, V. Ex.ª está a pensar o seguinte: “Olhem lá do que este filho da p… não se havia de ter lembrado só para safar o seu cliente!...”.

 Chegada a hora de sentença, o juiz vira-se para o réu e diz: “O senhor vai absolvido, mas bem pode agradecer ao filho da p… do seu advogado”.

 Isto vem a propósito de recente afirmação de Miguel Sousa Tavares, que fez a capa do Jornal de Negócios, de que nós já teríamos um palhaço que se chamava Cavaco Silva. O que tu foste dizer?!... Em Portugal, os nossos políticos são todos muito susceptíveis e o povo muito reverente. Em Portugal, um político pode arruinar uma autarquia ou um país, enriquecer os amigos e a família e lançar o povo na miséria, destruir lares, famílias e vidas, que não lhe acontece nada. Mas, se alguém chama “palhaço” a um político, tem logo o procurador e a polícia à perna.

 Eu até compreendo que certos políticos não gostem que lhes chamem “palhaços”, porque, efectivamente, os únicos e verdadeiros palhaços nesta história não são os eleitos mas quem os elegeu. Com efeito, por muito que nos custe reconhecer, os palhaços somos nós, o povo eleitor, que, durante os últimos vinte anos, temos eleito e sido governados pelos ofendidos da história de Ramada Curto.”

 Santana-Maia Leonardo,  Ponte de Sor

 (Jornal Público, Cartas ao Director, 28-05-2013)

 

Amorim Lopes

publicado por 59abc59 às 20:16

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