E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

Terça-feira, 21 de Outubro de 2014

 

“A Mundos de Vida” foi fundada em 29 de Julho de 1984, é uma instituição de solidariedade social com 80 colaboradores, que presta apoio a mais de 500 crianças e pessoas idosas, autora do texto cujo titulo acima referimos.

Foi nas redes sociais que fomos descobrir o respetivo texto - “CARTA DE UMA MÃE”, que é, no nosso entender, bastante educativo e convidativo a meditar um pouco na doentia sociedade em que vivemos.

Ao lê-lo, fez-nos recuar uns anos e lembrar, a "filosofia" de vida por nós seguida – “A refeição era  hora do convívio familiar”.

A beleza do seu conteúdo é tal, que entendemos fazer a sua divulgação neste nosso espaço:

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“Queridos filhos,

Lembram-se do dia em que fomos fazer compras e a senhora da loja disse: “Os dois meninos são os primeiros que vi durante o dia todo que não trazem nada nas mãos”. 
Lembram-se de como aquela senhora ficou admirada por não levarem um tablete ou um telemóvel. Sei que aquelas palavras vos fizeram sentir diferentes de outras crianças. 
O mesmo devem sentir quando vamos comer fora e, à mesa, as crianças brincam com os telemóveis e tabletes em vez de falarem com os seus pais. 
Não deve ser nada fácil serem crianças diferentes de outras, neste mundo em que vivemos inundado de aparelhos eletrónicos. 
Bem, meus filhos, talvez seja eu que sou diferente de outros pais. Talvez, no fundo, até seja egoísta… é verdade. Mas não quero perder nenhum dos momentos mais preciosos convosco. Deixai-me explicar.
Quero poder falar com os dois quando vamos comer fora. Quero ouvir as vossas perguntas. Quero ter a oportunidade de dar conselhos sobre a vida. Quero poder conversar das coisas da família. E, sabem, se estivermos distraídos com os tablets e os telemóveis, vamos perder esses momentos. 
Podia falar dos estudos que demonstram que o uso desses aparelhos prejudica o desenvolvimento das crianças pequenas, a sua capacidade de atenção e a sua socialização.
Embora todas estas razões justifiquem ficarem afastados da electrónica, nenhum destes motivos é a principal razão porque vos digo, muitas vezes, “não”. Gostaria que me percebessem bem, vou explicar. 
Quando estamos juntos, eu quero-vos todos para mim. A totalidade de vós. Preciso de vos sentir comigo. E de vos sentir verdadeiramente. Não consigo sentir-vos quando há um écran ou um aparelho eletrónico entre nós. O telemóvel e o tablete funcionam como uma barreira. Quero ver a luz dos vossos olhos. Quero ver a felicidade no vosso rosto, quando descobrirem, cada dia que passa, as maravilhas deste mundo. Quero-vos ver expressar os vossos pensamentos. Quero conhecer-vos e também as vossas paixões e as coisas que vos emocionam. E, meus filhos, se estiverem escondidos atrás de um écran, eu vou perder isso tudo. E, então, o meu tempo convosco, durante a vossa infância… passará num piscar de olhos, sem nos conhecermos. 
Como mãe, quero guiar-vos na compreensão da vida. Quero que as primeiras perguntas me sejam feitas a mim e não a um tablete. Não quero que passe a vossa infância e não tenhamos criado uma ligação forte. E uma ligação é feita dos pequenos momentos da vida. Olhos nos olhos. 
Para isso, precisamos de passar a infância juntos, sem um écran entre nós, em casa, no carro, nas lojas, no café, na rua… É por isso que eu digo “não” muitas vezes. 
Se alimentasse o vosso desejo de jogar com o tablete ou o telemóvel é como dar-vos rebuçados. Cria uma sensação de satisfação por uns momentos mas não vos alimenta para sempre. 
Não quero, um dia, olhar para trás quando deixar de ser responsável pela vossa educação e lamentar cada um dos segundos que não estive convosco. Não quero que os anos passem e sinta que estou apenas a sobreviver. Não quero sentir que disse que “sim” por comodidade. E, de repente, ver-vos, primeiro, distraídos com os écrans, depois ocupados e, por fim, absorvidos ou dependentes. 
E ver passar os anos, aparentemente, perto uns dos outros mas com uma barreira tão grande entre nós. 
Quero viver a vida convosco. Nós estamos na vida juntos. Nós somos uma família. Sim, quando estamos na sala de espera do médico, durante uma hora, seria mais fácil sossegar-vos com o telemóvel. Mas se eu fizer isso, eu temo que estou a dar-vos uma mensagem de que prefiro o vosso silêncio, a ouvir as maravilhosas palavras que saem da vossa boca. 
A partir do momento, em que existe um écran à frente dos vossos olhos, meus filhos, perde-se a beleza do mundo à vossa volta. 
Não quero que sintam uma necessidade constante de serem entretidos e distraídos. Se estiverem atrás de um écran, dificílmente estareis sozinhos com os vossos pensamentos. Quero que aprendam a pensar, para fazerem as vossas próprias descobertas.
Quero que olhem para as pessoas nos olhos. Se eu permitir que vivam atrás de um écran, meus filhos, sei que não vão perceber os sentimentos dos outros. Para conhecerem bem alguém, têm de o olhar nos olhos. Os olhos são a janela para o seu coração. É não é no ciberespaço que vão conhecer as pessoas que estão próximas, aquelas vos importam mais.
Na verdade, quando vos digo, muitas vezes, “não” aos tablets e aos telemóveis, estou a dar-vos um presente. E também estou a dar um presente a mim própria. É o presente da criação de uma relação entre nós que somos, antes do mais, pessoas humanas. E, meus filhos, vós significais tanto para mim que não quero perder um segundo quando estou convosco. 
Adoro ver o que vos faz rir. Adoro ver os vossos olhos abrirem de espanto quando descobrem na natureza algo de novo. E se a vossa cabeça estiver atrás do écran de um computador, vou perder isso tudo. E vós também. 
Nesta família é nossa missão apoiarmo-nos uns aos outros. Sei que pode ser aborrecido sentares-te nas aulas de natação e ficares a ver o teu irmão nadar. Sei que pode ser aborrecido estar sentada mais de uma hora durante o vosso treino de futebol. Para ser honesta seria bem mais fácil para mim dar-vos o tablete e o telemóvel para vos manter calmos e ocupados. Mas todos vamos perder muito se fizer isso. Vais perder de ver o teu irmão conseguir nadar de um lado ao outro da piscina. Vais retirar-lhe a alegria daquele momento especial em que brilha para ti. Vais perder o que isso pode significar de encorajamento mútuo para os dois. 
Quero que cresças sabendo que o mundo não gira à tua volta (um dia vais-me agradecer). Se deixar que te distraias com os aparelhos eletrónicos, bem, estou simplesmente a dizer-te que o tempo que gastas contigo é mais importante do que dar o teu tempo a alguém.
O mundo precisa de menos individualismo. O mundo precisa de mais ligação entre as pessoas. O mundo precisa de mais amor. E nós não podemos aprender e sentir isto atrás de um écran. 
Quero educar-vos, meus filhos, para que saibam olhar fundo nos olhos de quem amam. Quero que as minhas futuras noras tenham um marido que saiba olhar nos seus olhos porque conhece o valor da relação humana que é chão do amor. 
Quero ver o vosso rosto iluminado pela grandeza da vida e não pela luz de um écran. Quero-vos inteiros. Porque sei que vos vou ter apenas durante algum tempo. Quando me deixarem para irem estudar para fora ou para viver na vossa casa, não me quero lamentar do tempo que não aproveitamos juntos. 
Amo-vos. Por gostar tanto de vós não vos quero ver, agora que sois crianças pequenas, a passar o tempo calados e distraídos à frente de um tablete, de um telemóvel ou de um computador. 
E também quero que saibam que não vos vou pedir desculpa por vos dizer “não”. 
Aliás, sinto que estou a fazer isto para que um dia não tenha de vos pedir desculpa por o não ter feito agora, quando, então sim, já seria tarde demais.”

Com todo o amor.
Da vossa Mãe.

EQUIPA EDUCATIVA
Mundos de Vida
ABRAÇOS.

 

 

 

Por uma sociedade mais justa, mais saudável e mais equilibrada!

Amorim Lopes

 

publicado por 59abc59 às 18:04

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