E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Na última semana, duas “bombas rebentaram aos nossos pés” – operação “Labirinto” e hoje, a restituição das subvenções vitalícias aos Políticos.

Para os trabalhadores, reformados e pensionistas não há dinheiro. Para os políticos e a “burguesia” que os rodeia, as restrições começam a ser miragens.

Será democrático e justo, vivermos confrontados com estas duas realidades?

Pensamos que, os “ventos de Abril”, pretendiam restituir uma “brisa” de liberdade e equidade, e não a imposição de um mundo injusto.

Sobre o primeiro caso - operação “Labirinto”, aconselhamos a ler o texto, escrito muito recentemente pelo General  Pedro de Pezarat Correia:

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GIRO DO HORIZONTE - CORRUPÇÃO GOLD

Por Pedro de Pezarat Correia

17 de Novembro de 2014 

“Devo começar por dizer que fui buscar este título, com a devida vénia, a Fernando Madrinha e à sua coluna habitual no “Expresso” de 15 de Novembro passado, porque gostei dele e o julguei inteiramente apropriado ao que me propus trazer hoje através do GDH.

Na minha participação de 6 de outubro, em que anunciei o meu regresso ao convívio dos argonautas referi, a propósito do meu desencanto face à conjuntura nacional e mundial, que «no plano interno estamos mergulhados num pântano que fede». Os sinais de podridão não pararam de se acumular desde então, com a maioria parlamentar em desespero, numa alucinada campanha eleitoral de tipo fuga para a frente, centrada na “caça ao Costa”, sinais que vieram a desaguar no escândalo bombástico dos “vistos gold”. O país político da área do poder virou uma fossa. Mais uma vez é o âmago do aparelho de Estado nos seus mais elevados escalões, encharcados de “girls and boys” vertidos das “jotinhas” dos partidos que se assumem como mandatados divinos – o “arco da governação” é um desígnio transcendental –, que é atingido. E desta vez até parece que chegou a vez dos seniores. Diretores de serviços públicos, diretores de polícias nacionais, presidentes de institutos públicos, secretários-gerais de ministérios, de uma maneira geral estruturas ligadas aos mais sensíveis setores da segurança, surgem como suspeitos e arguidos.

Já sei que são inocentes enquanto não forem condenados, mas não pode deixar de inquietar que o ministério público se sinta na necessidade de, na fase da averiguação, assestar as suas baterias em alvos tão altamente colocados na gestão da coisa pública. E também não deixa de chamar a atenção a pressa com que os órgãos oficiais, quer da justiça quer do poder, surgem a informar que as suspeitas e investigações não atingem nenhum membro do governo. Como ainda ninguém incluíra ministros, secretários ou sub-secretários de estado entre os suspeitos, torna-se óbvio que os responsáveis, no seu íntimo, logo admitiram que a opinião pública estivesse para aí virada. Porque será? Que peso têm na consciência para admitirem que possam recear que as suspeitas do cidadão comum lhes caiam em cima?

Afinal tudo se passa debaixo das suas barbas mas os responsáveis políticos são sempre surpreendidos…

Não vou entrar em pormenores porque toda a imprensa, escrita, falada, televisiva e virtual, nos tem inundado com informação. Mas, não tendo quaisquer elementos que me permitam ir além do que é do domínio público, não quero deixar de sublinhar algumas circunstâncias e coincidências que legitimam, digamos assim, o meu desconforto e desconfiança por quem atualmente rege a “res publica”.

Paulo Portas, já toda a gente constatou, seja como governante, como líder partidário ou em atividades profissionais, tem uma tendência natural, uma atração fatal, para inquinar tudo o que lhe passa pelas mãos. Universidade Moderna, guerra de agressão ao Iraque, submarinos e outros aprovisionamentos de material bélico, Portucale, vistos gold, tudo tresanda. É notável o seu maquiavélico engenho para montar máquinas de contra-informação de tal maneira abrangentes e eficazes que acaba sempre por sair enxuto do meio das tempestades. Em último caso interrompendo oportunamente os inquéritos. É obra!

Ligadas à magna questão dos vistos gold e ao que com eles se relaciona, transferências de capitais, negociações de imobiliários, autorizações de residência, aquisição de nacionalidades, tudo atividades de alto risco e à sombra das quais se movimentam sofisticados interesses, surgem empresas, firmas, sociedades, em cujos associados e dirigentes se destacam atuais ou ex-governantes, seus correligionários partidários, familiares, amigos. Será que não há aqui redes de interesses inconciliáveis e que colidem com a limpeza e transparência que deve prevalecer na administração pública?

No sábado, dia 15, deparei com o espetáculo insólito de Marques Mendes, comentador residente da SIC, se apresentar no seu espaço e horário semanal a referir-se a alegadas suspeitas do seu envolvimento no escândalo vistos gold, justificando-se, negando, explicando. Mas será que uma tribuna de comentário político, pela qual é pago – diz-se que bem pago –, pode transformar-se num púlpito de defesa pessoal do comentador, sem que tenha a ver com as suas prestações enquanto comentador? Será que isto não é um insulto à boa-fé e à credibilidade dos espetadores que têm agora de suportar os custos dos direitos de defesa do bom nome dos comentadores?

Entretanto já se demitiu o ministro da Administração Interna. E ecoa o coro dos elogios pela prova de dignidade política revelada, que alguns “mal-intencionados” interpretam como críticas a outros, a quem teria ficado bem tal gesto mas cujo apego ao poder foi mais forte, ou que até decidiram irrevogavelmente voltar atrás. Daqui a alguns anos, quando virmos a fotografia de um governo do Portugal de Abril, em que pontificavam personagens como Miguel Relvas, Nuno Crato, Aguiar-Branco, Miguel Macedo, Teixeira da Cruz, Pires de Lima, Rui Machete, Vítor Gaspar, Albuquerque e, cerejas em cima do bolo, Paulo Portas e Passos Coelho, e fizermos o elenco das trapalhadas e escândalos em que se envolveu, teremos de interrogar-nos, como foi possíve?”

 

É urgente que se mudem os “ventos” para alterar as vontades!

Amorim Lopes

publicado por 59abc59 às 01:44

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