E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

Quinta-feira, 16 de Abril de 2015

Temos frequentemente afirmado que vivemos num mundo em que o poder económico controla o poder governativo.

Presentemente governa-se a olhar para o mundo do capital, desprezando-se quase sempre o homem e os valores sociais.

Estamos no apogeu do capitalismo do “vale tudo”. O “capitalismo criminoso” goza de ampla liberdade para lançar os tentáculos em tudo o que for apetecível.

É tempo de tornar a convivência humana mais justa, mais honesta, mais solidária. É tempo de nos unirmos e tentar vencer o flagelo da pobreza e da fome.

É tempo de dizer não ao mundo financeiro “sem comando” e dar oportunidade a um mundo capitalista mais controlado.

Um mundo onde a pessoa se sobreponha ao lucro!

Amorim Lopes

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O Secretário de Estado do Vaticano e o Presidente do Senado Italiano uniram as suas vozes na crítica ao sistema económico vigente, que promove a exploração dos mais fracos e a promiscuidade ente a finança e o poder, durante a apresentação de um volume da revista italiana ‘Limes’, dedicada ao tema "Moeda e império", na passada terça-feira em Roma. O cardeal Parolin denunciou que "os grandes capitais tendem a financiar os poderes estabelecidos e as atividades mais rentáveis", enquanto o povo se vê arredado do acesso ao crédito. O senador Pietro Grasso recordou o discurso do Papa ao Parlamento Europeu e a sua Exortação Apostólica "Evangelii Gaudium", na qual critica a "economia capitalista global dominada pelos poderes financeiros" que subordina ao LUCRO valores como o da dignidade humana, da democracia e da solidariedade. Em sintonia com o Papa defendeu uma recuperação da "economia real" que produza "bens e valores tangíveis". Também devem ser subtraídas à lógica do LUCRO as "empresas de caráter estratégico, que satisfaçam necessidades sociais primárias" e deve-se "reafirmar o seu papel público". Finalmente, para este magistrado italiano, é preciso reorientar "o fim último da produção", que deve partir "da pessoa humana, das suas necessidades e das suas expectativas". Para corrigir os desvarios do atual sistema económico é decisivo, segundo o líder do Senado, o empenhamento na luta contra a corrupção e o que apelida de "capitalismo criminoso" que acolhe "sem escrúpulos" capitais "sem olhar às suas origens". Que "não distingue o dinheiro que vem do trabalho, do engenho, da produção ou do empenho, do dinheiro de origem oculta, que resulta do crime, da exploração dos pobres ou o dinheiro de sangue". Segundo o senador, o sistema económico deve ser reorientado para "o fim único de combater a pobreza e a miséria em coerência com o valor da solidariedade humana e cristã, da misericórdia, destinando os LUCROS a ajudar os últimos, os fracos, os marginalizados". Pietro Grasso apelou a "um verdadeiro sobressalto ético da sociedade civil e da política que imponha aos Estados novas linguagens e novos modelos de relacionamento fundeados, não nos interesses, mas nos princípios e valores". Já agora, que resgatasse igualmente a política da subserviência.

Texto publicado no Correio da Manhã.

 

publicado por 59abc59 às 00:02

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