E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

Quarta-feira, 09 de Abril de 2014

No Facebook, tivemos o conhecimento de um trabalho que se encontra publicado na página “Oleoban”, com o título “Isto não é uma fantasia de criança”.

Gostámos do trabalho, que gira ao redor da vida, da forma de pensar, da maneira de agir e da visão que tem do Mundo a Maria da Conceição, assistente de bordo no Dubai e que desde de 2005 tenta ajudar o povo das favelas de Dhaka, Bangladsh.

Não resistimos à tentação de o publicar no nosso espaço. Fazemo-lo única e exclusivamente, não para ganhar protagonismo, mas para apoiar uma causa com a qual nos identificamos.

Parabéns aos autores do trabalho.

Amorim Lopes

 

«Isto não é uma fantasia de criança»

09 de Abril de 2014

 

Maria Conceição não é uma Mulher comum. Muito pelo contrário!

Foi a primeira mulher portuguesa a atingir o topo do Evareste. Mas não se ficou por aqui. Completou também 7 ultramaratonas, em 7 continentes em 7 semanas. Tudo isto em nome de uma causa social: ajudar as crianças e as famílias que vivem nas favelas de Dhaka.

Uma jovem portuguesa que é um exemplo de tenacidade e coragem e à qual não conseguimos (nem queremos) ficar indiferentes. Para conhecer mais sobre a sua Fundação deixamos-lhe aqui o contacto - http://mariacristinafoundation.org/

1- Depois de ter feito 7 ultramaratonas (em 7 continentes, em 7 semanas), de ter dado uma TED Talk, de ser a primeira mulher portuguesa a alcançar o Evareste e de gerir uma Fundação que luta contra a pobreza em Dhaka, quais são as suas próximas metas?

Irei continuar a dedicar-me a este tipo de desafios até continuar a precisar de angariar dinheiro para a Fundação.

Neste momento precisamos de 1 milhão de dólares para cumprirmos com o nosso objetivo de dar educação para aqueles que estão a usufruir do programa.

 Eu tive uma visão e fiz uma promessa: mudar a vida dos moradores das favelas e cumprirei esta promessa custe o que custar. Espero que os meus desafios se tornem cada vez mais exigentes de forma a continuar a financiar a fundação.

Já estou registada para uns quantos desafios, muito duros, em 2015.

Quanto maior o desafio, maior a impressão que se deixa na mente das pessoas sobre o que eu estou disposta a fazer para marcar a diferença no Mundo.

Para isso acontecer tem de ser algo que ainda não tenha sido atingido anteriormente. Quem sabe se as grandes marcas irão ver o valor disto e patrocinarem-me, a mim e à minha fundação, tal como já fazem para as grandes personalidades do desporto.

2- Porque é que decidiu que iria angariar o dinheiro necessário para os projectos da sua Fundação, subindo o Evareste e fazendo 7 ultramaratonas?  

Isto não é uma fantasia de criança, um sonho ou um simples entusiasmo pela aventura. Esta decisão foi 100% motivada pela promessa que fiz, há 9 anos, às crianças e às famílias debaixo do abrigo do MCF. Prometi fazê-las sair da pobreza.

Nunca tinha considerado esta hipótese antes, nem nunca me considerei uma runner.

A ideia de correr ultra maratonas nasceu apenas da necessidade de angariar dinheiro para a Fundação. Angariar fundos é o derradeiro desafio que enfrento todos os dias.

3- Enfrentou algum desafio inesperado por Ser Mulher?
Eu enfrento os mesmos desafios que qualquer mulher enfrenta no dia-a-dia. Além desses desafios enfrento o de estar num país muçulmano dominado por homens.

Assim sendo é necessário mais esforço para ser levada a sério. Quando te esforças mais para que isso aconteça podes ser acusada de ser agressiva ou autoritária. No entanto se for um Homem a ter essa atitude é considerado um líder forte.

4 – Nos momentos mais desgastantes fisicamente, como por exemplo, enquanto subia o Evareste, o que lhe dava força para continuar?

Em 2005, enquanto viajava para Dhaka, e vi as favelas, foi um verdadeira "chapada na cara" para mim. Em cada uma das crianças eu tive a certeza de como a minha vida poderia ter sido diferente se não tivesse recebido a ajuda que recebi.

Não há forma de saber como a minha vida teria sido se a Cristina não me tivesse acolhido em sua casa quando eu tinha 2 anos. Fui muito afortunada por ter tido ao meu lado uma mulher tão boa para me ajudar.

Nesse momento percebi que tinha mesmo que ajudar estas crianças e que a mais pequena ajuda iria fazer uma diferença substancial nas suas vidas. Desde aí, comecei a ficar envergonhada dos luxos que tive durante uma grande parte da minha vida e então decidi tomar uma decisão:

Ajudar estas crianças e famílias, transformou-se no meu único e verdadeiro interesse.

Espero ter deixado a Cristina orgulhosa. Mas também sei que nunca a poderei recompensar e agradecer por tudo o que ela fez por mim.

5- O que representa para si poder entrar no livro do Guiness como a mulher com o tempo mais rápido numa ultramaratona em cada continente e como a mulher que completou 7 ultramaratonas em 7 continentes, com o tempo mais rápido?

Ainda não tive o tempo necessário para submeter o record no papel e obter o meu Guiness. Tenho estado muito ocupada a trabalhar nas favelas de Dhaka.

Não fiz isto para quebrar um record, mas sim para lançar o alerta e chamar a atenção para esta causa. 

6- Complete. “Para mim, poder  ajudar as crianças de Dhaka é...

 O meu maior desafio.

Abrir os olhos das pessoas, para que elas consigam ver como a pobreza pode ser má. Perceberem como são sortudas e como pequenos gestos, conseguem fazer toda a diferença na vida dos outros. 

Apesar das pessoas que moram nas favelas não conseguirem ver a enormidade de possibilidades que o Mundo oferece, a maioria das pessoas privilegiadas que nunca teve que lidar com situações de pobreza são mais cegas, por não perceberem como são afortunadas. 

A maioria das pessoas foca-se tanto nas qualificações, em ganhar dinheiro, em progredir nas carreiras e vêm a pobreza como um problema alheio, que não lhes pertence e sobre o qual não têm qualquer responsabilidade.

7 –  Se lhe fosse dada a oportunidade de oferecer um “presente” ao Mundo onde vive, que presente escolheria dar? 

Daria a oportunidade às pessoas dos países desenvolvidos  de trabalharem como voluntárias em favelas por um dia.

Assim poderiam ver como são verdadeiramente sortudas e talvez isto fosse encorajá-las para ajudarem os outros.

Quem sabe se os milhões desperdiçados diariamente em bens materiais desnecessários pudessem finalmente ter um bom uso? 

publicado por 59abc59 às 20:21

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