E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

Segunda-feira, 29 de Junho de 2015

Passos Coelho para atingir o poder lançou mão de várias estratégias. Várias foram utilizadas, mas a que mais sobressaiu foi a mentira.

Ao longo da seu mandato, o dito por não dito foi um hábito frequentemente relembrado. Na ponta final, as falsidades continuam a enfeitar o “ramalhete” da governação.

Porque mente Passos Coelho?

Aconselhamos a ler o trabalho que seguidamente publicamos:

PEDRO ADÃO E SILVA.PNG

 

Passos Coelho mente por razões singelas: compensa, habitou-se e o empenho que coloca na repetição de mentiras revela que se foi convencendo da veracidade do que diz.

Quando questionados sobre qual o atributo que associam a Passos Coelho, os portugueses escolhem “mentiroso”. Como em relação a outras dimensões, as sondagens são um bom barómetro de perceções e um retrato preciso da realidade. Afinal, o primeiro-ministro não hesita em mentir quando lhe é politicamente conveniente. Foi o que aconteceu na campanha eleitoral, com promessas e garantias abandonadas à primeira oportunidade (o que está abundantemente documentado no YouTube para memória futura) e tem sido assim ao longo da legislatura com o que o próprio qualificou de “mitos urbanos”.

A questão que se coloca, hoje, não é tanto avaliar a extensão das mentiras do primeiro-ministro, é tentar perceber porque mente Passos Coelho?

A resposta mais simples tem também potencial explicativo. Passos Coelho mente por razões singelas: compensa, habitou-se e o empenho que coloca na repetição de mentiras revela que, muito provavelmente, se foi convencendo da veracidade do que diz.

E mentir compensa por razões atendíveis. No passado funcionou e, uma vez eleito, a capacidade política do primeiro-ministro não ficou particularmente beliscada por ter feito um campanha eleitoral baseada numa mentira colossal. Afinal, os portugueses apresentam uma justificada fadiga em relação à classe política e partem do pressuposto de que mentir é da natureza da atividade. Com consequências: falar verdade não é uma qualidade muito valorada no momento do voto. Como aliás demonstram as sondagens, a mentira como arma política não é muito penalizante. Caso contrário, alguém que é visto como mentiroso não teria intenções de voto elevadas.

A ascensão ao poder de Passos assentou numa mentira. E uma disputa eleitoral é sempre uma reinterpretação do que se passou durante a legislatura

No entanto, a explicação fundamental talvez seja de outra natureza. Passos Coelho mente, para dar exemplos dos últimos dias, sobre emigração, aumento de impostos e cortes nas prestações sociais porque lhe é permitido e é politicamente útil.

Permitido, em parte, porque há uma estranha timidez no momento em que a oposição tem de responder ao primeiro-ministro. Uma mentira é uma mentira e não uma “falta à verdade” e, talvez, só o histórico de mentiras que a oposição carrega aos ombros explique tamanha inibição.

No fundo, mentir é necessário e eficaz. Desde logo porque a ascensão ao poder de Passos Coelho assentou numa mentira fundadora sobre a natureza da crise e as suas manifestações em Portugal, que não pode ser abandonada a meio do percurso. Mas, acima de tudo, porque uma disputa eleitoral é sempre uma reinterpretação do que se passou durante a legislatura. Numa asserção conhecida, George Orwell sublinhava que “quem controla o presente, controla o passado e quem controla o passado controla o futuro”. Ora, sendo possível a Passos Coelho mentir hoje, fá-lo como forma de reescrever o passado, mobilizar os seus eleitores potenciais e, desta forma, tornar viável o seu futuro político.

publicado por 59abc59 às 13:19

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