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DÁDIVAS

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

DÁDIVAS

13
Mar13

SERÁ O PRONUNCIO DA MORTE?

59abc59


Grécia - Auschwitz do século XXI

Desde que a CRISE chegou à Grécia que a vida daquele povo ficou virada do avesso. Porém, as mudanças ocorridas na área da prestação de cuidados de saúde ultrapassaram todos as limites em que deveria assentar a dignidade da pessoa humana.

Até Julho de 2011, a Grécia tinha um sistema de saúde normal. As pessoas que perdiam os seus empregos recebiam cuidados de saúde, mesmo após terem perdido o direito ao subsídio de desemprego. A partir daquela data, o governo grego assinou um acordo de empréstimo suplementar com os predadores financeiros internacionais (travestidos de idóneos representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional), onde ficou estipulado que todos os cidadãos que não tivessem seguro de saúde, não estivessem a receber subsidio de desemprego, ou não tivessem meios próprios para o pagamento dos cuidados de saúde de que necessitassem, deixariam de ser tratados nos hospitais públicos.

Actualmente, na Grécia, existem cerca de 25% de desempregados, dos quais, metade, não recebe qualquer apoio do Estado helénico, e portanto, sem direito a ter assistência na doença.

As mudanças verificadas no sistema público de saúde impressionam, sobretudo, no caso de cancro, cujos tratamentos são longos e onerosos. Quando o cancro é diagnosticado em pessoas que não têm seguro de saúde, subsídio de desemprego ou posses para pagarem do seu próprio bolso o acesso aos medicamentos e tratamentos de que carecem, o Estado pura e simplesmente vota-as ao abandono, ignorando a sua própria existência.


Face à gravidade da situação, que raia uma sórdida parecença com o genocídio seletivo e repressão maciça de tempos idos, surgiu o conceito de "Clínica Social", um movimento fora do sistema de saúde público, que o Dr. Giorgos Vidras alcunhou de "Rede Robin Hood", para cuidar dos excluídos da sociedade, em que são utilizados medicamentos doados por farmácias, empresas farmacêuticas, e até por familiares de doentes que morreram de cancro. Mas este problema pode agravar-se exponencialmente muito em breve. É que, vai chegar o momento em que as pessoas vão deixar de poder doar, pelos efeitos arrasadores da crise que atravessa a Grécia.


O Dr. Kostas Syrigos, chefe do maior Serviço de Oncologia da Grécia, fez declarações públicas onde dizia que pensava já ter visto tudo na vida!

Mas nada o preparara para enfrentar o caso de Elena, uma mulher desempregada e sem seguro de saúde, com um cancro na mama que atingira o tamanho de uma laranja e que já rasgara a pele, deixando à vista urna ferida que aquela mulher drenava, incessantemente, com guardanapos de papel. "Fiquei sem fala quando a vi. Toda a gente que ali se encontrava chorou. E em verdade vos digo: os livros de estudo descrevem coisas como aquelas, mas nunca as tínhamos visto até então",referiu aquele médico.

A sociedade grega ficou chocada! Tal como na revelação Bíblica, os responsáveis políticos do seu País tinham trocado a protecção dos mais desfavorecidos por "30 moedas de prata" provenientes dos "Judas" do nosso tempo.

Na Grécia, os médicos que sejam apanhados a tentar salvar a vida daquelas "almas", pagam do seu bolso os medicamentos entregues àqueles doentes, para além de se sujeitarem a muitas outras consequências.

Nas palavras do médico alemão Georg Pieper, o que encontrou na Grécia ultrapassou todas as suas piores expectativas: - crianças, numa agonia pungente, ao colo de suas mães esvaídas em lágrimas, prostradas em frente aos hospitais públicos, a implorarem para tratarem das suas crianças; mulheres grávidas, sem seguro de saúde e sem dinheiro, a acorrerem aos hospitais, suplicando para serem atendidas; doentes internados que, para não morrerem à fome, pedem a familiares e amigos para lhes levarem comida; médicos, enfermeiros e outros profissionais que, para além de não receberem ordenado há vários meses, se vêm obrigados a fazer a limpeza dos hospitais; e um número incontável de pessoas a catar os restos que se encontram naqueles que são hoje os "restaurantes helénicos mais bem sucedidos da economia grega" - os caixotes do lixo.

Hoje, no País onde nasceu a democracia, estar doente não é "pronúncia do Norte"... é prenúncio de morte.

Há cerca de sete décadas atrás, os saques feitos aos gregos serviram para construir e alimentar os Panzers, com que pretendiam aniquilar o povo de "Homero". Nos tempos que correm, os saques servem para pagar o material de guerra e para salvar os bancos germânicos. São as duas faces... de uma mesma moeda.

 (Por António Rocha, Diário de Aveiro de 07 Janeiro 2013)

(O sublinhado foi feito por nós)

 

O que foi escrito no jornal Diário de Aveiro, a ser verdade, é mais um testemunho da cruel ditadura que o poder económico nos vai querendo impor. É a sociedade neoliberal que tanto apregoam.

Hoje, no jornal Correio da Manhã, vinha uma afirmação proferida pelo Ministro da Saúde: "A sustentabilidade económica do SNS a longo prazo, além de 2015, não está garantida, e por isso é necessário avançar com reformas adicionais", afirmou Paulo Macedo, durante a apresentação do estudo ‘O Setor da Saúde: Da Racionalização à Excelência’, em Lisboa.

 

 

Pensando no que está a acontecer na Grécia e na afirmação do responsável pela saúde “SNS só aguenta mais dois anos”, leva-nos a fazer a pergunta:  Será que estas palavras, são o sinal de que se está a começar a abrir o caminho que nos levará a uma situação idêntica à vivida na Grécia?

É hora de todos sermos sentinelas em alerta constante e de tocar a rebate se necessário for.

Amorim Lopes   

  

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