Eu e tu, quando somos nós?!...
Recebemos do nosso amigo e professor Pomba Marques, o texto com o título “Eu e tu, quando somos nós?!...“. Por gostarmos do que escreveu e entendermos, ser o texto, um espelho de um problema social que nos flagela e porque, nele, interessa reflectir um pouco, resolvemos publica-lo neste pequeno espaço, que diariamente vamos utilizando.
As fotos, foram colocadas sem consultar o autor do trabalho. São da nossa inteira responsabilidade.
Terminamos, desejando ao Professor e Amigo, muita saúde, inteligência e inspiração, para nos conseguir doar, muitos trabalhos, como o que seguidamente, vamos publicar.
Amorim Lopes
"Eu e tu, quando
somos nós?!...
Eu e tu a propósito da “Copofonia” e não só!... que, na noite comprida, desgraça a juventude rica, a geração não “rasca”.
Zero “shots” (tiros), uma mini, duas minis bebemos e somos nós. Um “shot”, muitas minis, já não as bebemos nós. Somos já uma sombra, uma transfiguração da nossa identidade. A nossa risada, nessa hora, é alarve, alarmante. As palavras altas soam a alegria ilusória, falsa. Então, perdemos a consciência dos actos que definem o homem.
Temos, afinal, a barriga cheia e a cabeça mais do que vazia, tonta mesmo.
Em tempos idos, as mães, depois de amamentar os filhos ao peito, entoavam canções de embalar, abanando de mansinho o berço que baloiçava.
Mais tarde, as caminhas para bebés. Dado o biberão, os meninos adormecem ao som de alguns sininhos ou de umas campainhas penduradas por cima das suas cabecitas.
Mas ainda há mães e pais que sabem cantar para os seus filhinhos dormirem o sono dos anjinhos.
Alguns desses meninos, agora já crescidos, gozam a vida, noite fora, engolindo mixórdias que os fazem cambalear na rua, rebolar na calçada e, às vezes, tombar na valeta ou contra o separador central e adeus, vida.
Estes jovens não terão dito:
- Boa noite, pais. Já voltamos.
Porque não voltaram. Porque caíram nas armadilhas da noite. Porque também as colunas de altos berros os aturdiram e enlouqueceram. Em casa, envelhecem mais cedo os pais que não descansam, dando voltas e mais voltas na noite inquieta, voltas e mais voltas na longa noite. Abusaram da sua fresca mocidade e da sua incauta idade. É um mundo cruel.
Valha-nos que, apesar de tudo, neste mundo tresloucado, ainda crescem jovens com a cabeça entre os ombros. Dirão entre eles:
- Eu e tu temos de ser nós.
No entanto, sigamos as pegadas dos lobos da noite. Ao longo dos carreiros labirínticos da predadora selva, aqui e além, nos troncos esguios das árvores mais aprumadas, preguemos
o letreiro com o nosso pedido:
- “Stop!....”
Há que dar a cara. Na comunidade, é gritantemente necessária a visibilidade do rasto da vida de cada um de nós.
Temos de ser reféns da autenticidade, da verdade do nosso viver, neste mundo já baptizado como sendo bola pequena.
O homem tem de ser grande, cada vez maior, com a alavanca da moral nas suas mãos de obreiro da boa reputação da sua família – a sociedade.
Enfim, direitos e expostos como a árvore que cresce e dá frutos doces, eu e tu temos de ser nós."
Pomba Marques



