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DÁDIVAS

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

DÁDIVAS

15
Dez11

Eu e tu, quando somos nós?!...

59abc59

Recebemos do nosso amigo e professor Pomba Marques, o texto com o título “Eu e tu, quando somos nós?!...“. Por gostarmos do que escreveu e entendermos, ser o texto, um espelho de um problema social que nos flagela e porque, nele, interessa reflectir um pouco, resolvemos publica-lo neste pequeno espaço, que diariamente vamos utilizando. 

As fotos, foram colocadas sem consultar o autor do trabalho. São da nossa inteira responsabilidade.

Terminamos, desejando ao Professor e Amigo, muita saúde, inteligência e inspiração, para nos conseguir doar, muitos trabalhos, como o que seguidamente, vamos publicar.

Amorim Lopes 

 

 

 

"Eu e tu, quando

somos nós?!...

 

Eu e tu a propósito da “Copofonia” e não só!... que, na noite comprida, desgraça a juventude rica, a geração não “rasca”.

 

Zero “shots” (tiros), uma mini, duas minis bebemos e somos nós. Um “shot”, muitas minis, já não as bebemos nós. Somos já uma sombra, uma transfiguração da nossa identidade. A nossa risada, nessa hora, é alarve, alarmante. As palavras altas soam a alegria ilusória, falsa. Então, perdemos a consciência dos actos que definem o homem.

Temos, afinal, a barriga cheia e a cabeça mais do que vazia, tonta mesmo.

Em tempos idos, as mães, depois de amamentar os filhos ao peito, entoavam canções de embalar, abanando de mansinho o berço que baloiçava.

 Mais tarde, as caminhas para bebés.   Dado o biberão, os meninos adormecem ao som de alguns sininhos ou de umas campainhas penduradas por cima das suas cabecitas.

 Mas ainda há mães e pais que sabem cantar para os seus filhinhos dormirem o sono dos anjinhos.

 Alguns desses meninos, agora já crescidos, gozam a vida, noite fora, engolindo mixórdias que os fazem cambalear na rua, rebolar na calçada e, às vezes, tombar na valeta ou contra o separador central e adeus, vida.

 Estes jovens não terão dito:

- Boa noite, pais. Já voltamos.

Porque não voltaram. Porque caíram nas armadilhas da noite. Porque também as colunas de altos berros os aturdiram e enlouqueceram. Em casa, envelhecem mais cedo os pais que não descansam, dando voltas e mais voltas na noite inquieta, voltas e mais voltas na longa noite. Abusaram da sua fresca mocidade e da sua incauta idade. É um mundo cruel.

 Valha-nos que, apesar de tudo, neste mundo tresloucado, ainda crescem jovens com a cabeça entre os ombros. Dirão entre eles:

- Eu e tu temos de ser nós.

 No entanto, sigamos as pegadas dos lobos da noite. Ao longo dos carreiros labirínticos da predadora selva, aqui e além, nos troncos esguios das árvores mais aprumadas, preguemos

 

 

o letreiro com o nosso pedido:

 - “Stop!....”

Há que dar a cara. Na comunidade, é gritantemente necessária a visibilidade do rasto da vida de cada um de nós.

Temos de ser reféns da autenticidade, da verdade do nosso viver, neste mundo já baptizado como sendo bola pequena.

 O homem tem de ser grande, cada vez maior, com a alavanca da moral nas suas mãos de obreiro da boa reputação da sua família – a sociedade.

 Enfim, direitos e expostos como a árvore que cresce e dá frutos doces, eu e tu temos de ser nós."

Pomba Marques

 

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