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DÁDIVAS

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

DÁDIVAS

20
Jul14

PARA PORTUGAL PODER CUMPRIR, NO GOVERNO, “FORÇA DE TRABALHO” DEVE EXISTIR

59abc59

"Um homem desejoso de trabalhar, e que não consegue encontrar trabalho, talvez seja o espectáculo mais triste que a desigualdade ostenta ao cimo da terra."

 

É realmente um triste espetáculo o que diariamente vamos presenciando. O desemprego, provoca um crescimento constante do número de pessoas que engrossam o número de pobres e de pessoas a passar fome, enquanto as grandes fortunas não param de aumentar.

O trabalho está sucessivamente a ser penalizado, enquanto os grandes senhores, ligados a negócios que vão arruinando o País, nada lhes acontece.

Já alguém viu o Governo clamar por justiça para a família Espírito Santo e seu comparsas, pela má imagem com que vão decorando internacionalmente o nosso País?

Nada se vê e nem se vislumbra! Políticos e banqueiros tapam-se todos com a mesma capa.

Sobre o tema, publicamos de seguida um texto escrito pelo Professor Universitário Paulo Morais, com o qual estamos de acordo:

 

VÃO TRABALHAR

 

“A governação e a política de um modo geral vêm há muito penalizando o valor do trabalho.

É inevitável: quem nunca trabalhou, não pode, nem sabe, reconhecer as virtudes do trabalho.

 As políticas públicas deveriam premiar os trabalhadores, que trabalham e criam riqueza, para si, para as suas famílias, para as organizações a que pertencem e para o País. Também quem estuda deveria ser apoiado, uma vez que, quanto melhor a sua formação, maior será a sua realização e produtividade. E quem já trabalhou, quem teve uma vida ativa útil, deve ser acarinhado. As pensões, reformas devem constituir a justa recompensa por uma vida de labuta.

Deveríamos igualmente reconhecer aqueles que criam as condições para que outros trabalhem, em particular os pequenos e médios empresários que arriscam, criam empresas e empregos, gerem negócios e garantem, com heroicidade, o sustento dos seus colaboradores.

 Mas, lamentavelmente, as políticas públicas têm privilegiado os improdutivos, os especuladores e os parasitas.

Os rendimentos mais protegidos pelo estado são as rendas provenientes de atividades improdutivas, como as parcerias público-privadas, de contratos de arrendamento celebrados com instituições públicas. Também são favorecidas a especulação com juros de dívida pública ou a valorização de solos nos negócios ilegais do urbanismo.

Têm ainda sucesso económico garantido aquelas empresas que vivem da proximidade ao poder autárquico: desde os construtores de regime aos assessores de "imagem". O que produz esta gente? Quase nada. Apenas serve para arrebanhar votos nos partidos e manter a estrutura de poder que a sustenta.

 Também a nível fiscal, os incentivos são concedidos aos que nada fazem, como os especuladores imobiliários, cujos prédios estão isentos de IMI, se titulados por fundos de investimento.

 Estas políticas que mantêm privilégios, premeiam favores, esquemas e a esperteza saloia – desvalorizando o trabalho – levam ao empobrecimento do País. Mas nem seria de esperar diferente destes políticos que saíram dos bancos das escolas diretamente para a política e foram saltando de assessores para vereadores, de deputados para ministros, sem nunca terem trabalhado”.

 

Por: Paulo Morais, professor universitário

Amorim Lopes

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