Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

DÁDIVAS

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

E agora é o acaso quem me guia. Sem esperança, sem um fim, sem uma fé, Sou tudo: mas não sou o que seria Se o mundo fosse bom — como não é!

DÁDIVAS

19
Ago15

UMA ESPÉCIE DE RÉVEILLON

59abc59

Capturar1.PNG

 

 

UMA ESPÉCIE DE RÉVEILLON 

18.08.2015

MARIANA MORTÁGUA

A "festa do Pontal" não é uma rentrée, mas uma espécie de réveillon. Romantiza-se o passado, para nunca admitir que as resoluções do ano anterior falharam redondamente, e repetem-se as falsas promessas de sempre, tão vagas quanto possível, para que o seu cumprimento seja de difícil cobrança. O que Passos Coelho pediu ao país, no Pontal, foi que se entregasse a um exercício coletivo de negação sobre os últimos quatro anos e embarcasse na sua prodigiosa fantasia de noite de ano novo.

"A economia já não vive de endividamento". A dívida pública subiu 24 pontos percentuais (fechou 2014 em 130% do PIB quando o memorando previa um máximo de 114%). A dívida privada reduziu-se em cerca de 37 mil milhões. Mas o endividamento total do setor privado não financeiro mantém-se nos 412 mil milhões de euros. A economia portuguesa não só continua a viver endividada como canalizará para o seu pagamento a maior parte dos seus recursos nas próximas décadas. A par disto, não esqueçamos o estrondoso aumento do crédito às famílias nos últimos meses. Nada mudou do ponto de vista estrutural a este nível.

"Resolvemos o problema externo". Mas a dívida exterior continua acima dos 400 mil milhões de euros, e aumentou entre dezembro de 2014 e março de 2015. As exportações aumentaram, é verdade, em linha com o que aconteceu em toda a Europa. As importações reduziram, em linha com o aumento da pobreza e da emigração. Mas de cada vez que a procura interna aumenta (e é ela que sustenta o PIB), as importações crescem mais que as exportações e o défice reaparece. Nada mudou do ponto de vista estrutural a este nível.

"Não, a pobreza não aumentou". É a própria Cáritas que o diz, Portugal foi o país em que mais aumentou o risco de pobreza e de exclusão social. Mais de 2 milhões são pobres e, segundo o INE, estão mais longe de deixar de o ser. A pobreza extrema é maior.

"Conseguimos reduzir o desemprego". No segundo trimestre de 2011 havia 4 milhões e 799 mil pessoas empregadas. Hoje são menos 218 mil.

"Hoje vive-se melhor em Portugal". Mas a percentagem de trabalhadores a receber o salário mínimo aumentou 70%. Não basta os desempregados, 20% das pessoas empregadas sobrevivem com 500 euros por mês.

A pobreza, o desemprego e a redução dos salários. São estas as verdadeiras reformas estruturais conseguidas. São as promessas nunca feitas, mas cumpridas. O resto são discursos de réveillon, 12 desejos ao sabor de 12 passas, todos gastos a pedir por uma amnésia generalizada que apague o mal estrutural que este Governo causou ao país.

*DEPUTADA DO BE

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2014
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2013
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2012
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2011
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2010
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D

MAIL

amorimnuneslopes@sapo.pt
Em destaque no SAPO Blogs
pub